domingo, 13 de abril de 2008

A escritora e a obra

No caminho da minha preparação para iniciar esta leitura... caminho esse que envolve outros livros, outros estilos, como se estivesse a adocicar a compreensão do que aí vem, encontrei algumas luzes. Aconselho o mesmo.

Assim:

«Clarice Lispector, nascida em Tchetchelnik, a 10 de dezembro de 1920, foi uma escritora brasileira nascida na Ucrânia.

De família judaica, recebeu o nome de Haia Lispector. Nasceu durante a viagem de emigração da família ao continente americano. Aportaram no Brasil quando tinha pouco mais de um ano de idade.

Por iniciativa de seu pai, à exceção de uma irmã, todos mudaram de nome, Haia passou a Clarice.

Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância.

Em 1944 publicou seu primeiro romance, Perto do coração selvagem. A literatura brasileira à data dessa publicação era dominada por uma tendência essencialmente regionalista, retratando a difícil realidade social do país na época. Clarice Lispector surpreendeu a crítica com seu romance, quer pela problemática de caráter existencial, completamente inovadora, quer pelo estilo solto elíptico, e fragmentário, que críticos reputaram reminiscente de James Joyce e Virginia Woolf, se bem que ainda mais revolucionário.

A obra de Clarice ultrapassou qualquer tentativa de classificação. A escritora e filósofa francesa Hélène Cixous vai ao ponto de dizer que há uma literatura brasileira A.C. (Antes da Clarice) e D.C. (Depois da Clarice).»

«Em "A Paixão Segundo G.H." os fluxos de consciência permeiam o livro. Espécie de romance-enigma, fornece o lugar de sujeito à linguagem, que constrói ao redor de si um labirinto cuja saída está na essência do ser: trata-se de um longo monólogo em primeira pessoa, que se dá pelo "jorro turbilhante e ininterrupto de linguagem". Um paradoxo, como muitos dos que permeiam a obra da escritora: as palavras são, ao mesmo tempo, o que afasta o ser de sua essência, mas, ao mesmo tempo, constitui a chave para atingi-la. É o exercício da linguagem como instrumento possível de se tocar o intocável, de se atingir o segredo: desenterrar o melhor e o pior de nossa condição humana, que já não é nem mais humana.»

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