A paixão segundo G.H. - Clarice Lispector - 1964
A escultora G.H. nos conta sua experiência vivenciada a partir do instante em que entra no quarto da ex-empregada, vê o surgimento de uma barata no guarda-roupa e a esmaga na porta. Daí em diante, tomada por uma mistura de medo e repulsa, G.H. vive com a barata durante horas e horas a sensação de ter perdido a sua "montagem humana". A incapacidade de dar forma ao que lhe aconteceu, a aceitar este estado de perda, a leva a imaginar que alguém está segurando a sua mão. Desta maneira, o leitor passa a viver junto com a personagem esta experiência singular.
Diz a epígrafe da obra de Bernard Berenson: "Uma vida plena pode ser aquela que alcance uma identificação tão completa com o não-eu que não haja mais um eu para morrer".
Sem nome, G.H. identifica-se com todos os seres. Entre suas vidas possíveis está a mística, aberta a múltiplos temas, como a linguagem e a arte que se fundem na busca espiritual.
O momento de maior revelação se dá na cena mais famosa de romance. A barata, após perder sua casca, expele a secreção branca que aparece como sua última essência. G.H., então, a come. Estaria aí a renúncia que a personagem faz a seu próprio ser como linguagem, que, logo após o ato, entrega-se ao silêncio.
2 comentários:
Estou curiosa por saber como correrá a nossa próxima sessão... É que já li o livro e sinto que terei pouco a dizer. Talvez tenha muitas perguntas a fazer-vos, isso sim. A paixão de G.H. é talvez das paixões mais incompreensíveis a meus olhos e assim como ela precisava de uma mão para aceitar uma nova realidade, uma tão grande descoberta, eu preciso da vossa «mão» para tentar entender o livro. É já no próximo sábado! Até lá.
Ainda não li. Mas fiquei com vontade.
Um beijo.
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